O Diretor Geral da APCER Brasil, Paulo Bertolini, participou do painel “Inovação que Exporta: Agricultura Familiar, Certificação e Competitividade Internacional”, realizado no Rio Innovation Week 2026, onde abordou como a certificação e a avaliação da conformidade podem apoiar os pequenos produtores na internacionalização de seus produtos.
Durante a sessão, foi destacado o dinamismo do agronegócio brasileiro, que registrou US$ 169,2 bilhões em exportações em 2025, representando 48,5% das exportações totais do Brasil. Desde 2023, foram realizadas ainda 639 novas aberturas de mercado, alcançando 97 destinos internacionais, o que reforça o potencial de crescimento das exportações agroalimentares brasileiras.
Paulo Matheus, Gerente Executivo da ApexBrasil, chamou a atenção para a evolução das exigências dos mercados internacionais, destacando que, na Europa, a decisão de compra já não passa apenas pelo preço. A origem dos produtos, quem os produz, a qualidade e a existência de certificação assumem uma importância crescente nas relações comerciais.
Nesse contexto, Paulo Bertolini ressaltou que ter um produto de qualidade e encontrar um comprador pode não ser suficiente para concretizar uma oportunidade de exportação. É necessário conseguir demonstrar a segurança e a qualidade do produto, sua origem, rastreabilidade e conformidade com os requisitos do mercado de destino.
Essa realidade é particularmente relevante para a agricultura familiar e para produtos diferenciados ou de maior valor agregado, que podem encontrar novas oportunidades nos mercados internacionais. A certificação surge, assim, como um instrumento para responder às exigências dos compradores, reforçar a confiança e facilitar o acesso a mercados mais exigentes.
Ao longo da apresentação, Paulo Bertolini mostrou também que não existe uma única resposta em matéria de certificação: a solução adequada depende do produto, do mercado de destino e dos requisitos do comprador. Na área de segurança de alimentos, foram abordados referenciais como ISO 22000, FSSC 22000, BRCGS e IFS, entre outras soluções que podem apoiar o acesso a compradores e mercados internacionais. Foram analisados ainda requisitos relacionados à origem e rastreabilidade, à sustentabilidade e a novas exigências regulatórias, como o Regulamento da União Europeia para Produtos Livres de Desmatamento (EUDR).
A apresentação procurou ainda traduzir essas exigências para diferentes produtos, entre eles café, açúcar, arroz, chocolate, feijão e suco de laranja, evidenciando que os requisitos podem variar significativamente de acordo com o produto e o mercado de destino.
Para os pequenos produtores, Paulo Bertolini defendeu uma abordagem por etapas, começando pela identificação do produto, do mercado e do comprador-alvo para, a partir daí, determinar quais evidências e certificações são efetivamente necessárias. Destacou também o potencial de modelos colaborativos, por meio de cooperativas e associações, para compartilhar recursos, reduzir custos e tornar o processo mais acessível.
A mensagem final foi clara: a certificação não deve ser encarada como um obstáculo burocrático, mas como uma ferramenta de acesso ao mercado. Mais do que obter um selo, é importante compreender quais evidências de conformidade o comprador exige e estar preparado para demonstrá-las de forma consistente.











