A publicação da Versão 7 da FSSC 22000 introduz novas exigências para as organizações certificadas e reforça temas que já vinham a ganhar importância nas auditorias, como a competência das equipas, a cultura de segurança dos alimentos e a melhoria contínua.
Estas foram algumas das conclusões partilhadas por especialistas da FSSC Foundation, da APCER e da indústria alimentar, que analisaram a evolução da certificação e os desafios que as organizações enfrentam na implementação e manutenção dos seus sistemas de gestão da segurança dos alimentos.
Um referencial com presença crescente
A FSSC 22000 continua a consolidar a sua posição entre os principais referenciais internacionais na área da segurança dos alimentos. Atualmente, reúne mais de 42 mil organizações certificadas em todo o mundo e mantém uma trajetória de crescimento consistente, incluindo na América Latina.
Esta evolução acompanha as exigências das cadeias de fornecimento e de grandes marcas internacionais, que procuram parceiros capazes de demonstrar sistemas de gestão robustos e reconhecidos pela Global Food Safety Initiative (GFSI).
O que muda com a Versão 7?
Publicada em maio de 2026, a nova versão da FSSC 22000 incorpora a série ISO 22002 para programas de pré-requisitos, substituindo os anteriores documentos técnicos utilizados pelo esquema. A atualização inclui ainda alterações relacionadas com competência, cultura de segurança dos alimentos, melhoria contínua e alinhamento com os mais recentes requisitos da GFSI.
As organizações dispõem de um período de transição até maio de 2027 para adaptar os seus sistemas à nova versão.
Embora muitas alterações sejam de natureza técnica, a implementação da Versão 7 exige uma análise cuidada dos processos existentes e uma preparação atempada, envolvendo diferentes áreas da organização.
Quando a certificação faz parte da estratégia
A experiência apresentada pela COPRA mostrou que os efeitos da certificação vão além da obtenção de um certificado.
Ao longo dos últimos anos, a empresa reforçou a sua presença junto de clientes nacionais e internacionais e verificou que, para muitos deles, uma certificação reconhecida pela GFSI passou a ser um requisito para integrar a cadeia de fornecimento.
A implementação da FSSC 22000 contribuiu igualmente para melhorar a gestão de fornecedores, reforçar a prevenção de riscos, apoiar investimentos em infraestrutura e preparar uma nova unidade industrial já concebida de acordo com os requisitos do esquema.
O testemunho evidenciou uma realidade cada vez mais comum: a certificação deixa de ser encarada apenas como um requisito comercial e passa a integrar a forma como a organização gere os seus processos.
Onde continuam a surgir mais não conformidades?
Outro dos temas abordados foi a análise das não conformidades identificadas nas auditorias FSSC 22000.
Os dados apresentados mostram que as não conformidades mais relevantes continuam a concentrar-se em áreas como auditorias internas, rastreabilidade e tratamento das não conformidades e ações corretivas. Nas não conformidades críticas destacam-se, igualmente, a rastreabilidade, a liderança e o controlo dos pontos críticos do processo.
Estes resultados mostram que muitas organizações já possuem sistemas de gestão estruturados, mas continuam a enfrentar dificuldades em assegurar a sua aplicação consistente no terreno.
Foi igualmente destacado que uma não conformidade deve ser encarada como uma oportunidade para identificar as causas que estiveram na sua origem e prevenir a sua repetição. A eficácia das ações corretivas e a verificação dos resultados obtidos continuam a ser aspetos determinantes para a melhoria contínua do sistema de gestão.
O foco das auditorias continua a evoluir
A evolução da FSSC 22000 reflete-se também na forma como as auditorias são conduzidas.
Além da verificação dos requisitos técnicos, cresce a atenção dada à competência das equipas, ao envolvimento da liderança e à capacidade da organização para demonstrar que aprende com os desvios identificados e melhora os seus processos de forma consistente.
A cultura de segurança dos alimentos assume, por isso, um papel cada vez mais relevante. A sua avaliação deixa de assentar apenas em planos ou ações de sensibilização e passa a refletir-se na forma como as pessoas executam as suas atividades, analisam riscos e participam na melhoria do sistema.
Preparar a transição
A entrada em vigor da Versão 7 representa uma oportunidade para rever processos, atualizar procedimentos e reforçar competências.
Mais do que responder aos novos requisitos, as organizações podem utilizar este período de transição para consolidar práticas de gestão, reforçar a cultura de segurança dos alimentos e preparar-se para responder às exigências de clientes e mercados cada vez mais atentos à eficácia dos sistemas de gestão.


